Da história de Adèle Hugo

Por algum estranho motivo, a história de Adèle H. sempre me fascinou, e confesso que acharia muito digno enlouquecer daquele jeito. Imagina eu andando em farrapos, zombie style, pelo centro da cidade? Tudo por causa de um cara que me deu meia dúzia de beijinhos e me prometeu amor eterno? Digno.

E digo isso sem nenhuma ironia. A primeira história de amor que me marcou foi a de Margarida e Daniel, em “As pupilas do Senhor Reitor”. Acho que ter lido aquilo tão cedo foi decisivo para eu formar uma idéia de que amor é um só, e para sempre.

Mas, conforme fui vivendo, fui vendo que não era bem assim. Nunca fui de ficar me apaixonando em série, mas enfim… E sempre fui me sentindo meio culpada conforme ia me desapaixonando, afinal Margarida ainda morava dentro de mim. Como eu poderia ser tão medíocre e deixar um amor substituir o outro, como as pessoas ordinárias (Raskólnikov feelings)?

Além disso, daddy issues foram um problema sério na vida de Adèle. Se ser filha de Victor Hugo, um dos homens mais famosos do mundo naquela época, já devia ser um fardo, imagina ser a filha menos importante e viver à sombra da idolatria de toda a família pela sua irmã mais velha? Não me surpreende que receber as migalhinhas do amor do Pinson possa ter causado essa loucura toda. Nem acho que ela o amasse tanto, talvez o que a tenha enlouquecido foi a saudade de como ele a fazia sentir-se…

E para aumentar ainda mais meu amor por Adèle, com ela aconteceu uma das coisas que mais me causam horror na vida: ela morreu com 85 anos, e sobreviveu à família toda.

Enfim, é uma história muito pungente. Recomendo fortemente “A história de Adèle H”, com a Isabelle Adjani linda e em uma atuação impecável. Também o livro “Adèle Hugo: La Miserable” é excelente, a autora é a Leslie Smith Dow, na Amazon tem. É de deixar a gente tentando entender como as emoções, quaisquer que sejam, podem mexer tanto com a cabeça de alguém.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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