Do suicídio como um tema proibido

Entre os tabus que existem na nossa sociedade, o suicídio inexplicavelmente segue sendo, no meu ponto de vista, o tabu-mor. A imprensa de maneira geral não noticia casos de suicídio, supostamente para não incentivar outras pessoas a fazer o mesmo.

Esse argumento me parece, hoje em dia, um pouco fraco. Por essa ótica não poderíamos noticiar assassinatos, abandonos de recém-nascidos, abortos e outras coisas que atentam contra a vida do outro e não apenas contra a nossa. Alguém poderia dizer que potenciais suicidas estariam em uma condição psicológica fragilizada e que poderiam se sentir “encorajados” pela notícia do suicídio de outra pessoa. Mas isso também não se aplicaria aos assassinos passionais? Ou a mulheres que engravidam e não desejam ser mães? Todas essas pessoas também estão sob uma condição psicológica distante da considerada equilibrada.

Assim, a única causa que encontro para que o suicídio ainda seja um assunto proibido é a culpa católica. Matar os outros, ok. Matar a si mesmo, no soup for you! Não sei se ainda é efetivamente assim, mas até onde sei (dos tempos em que eu freqüentava a igreja católica) os padres não podem encomendar a alma de uma pessoa que cometeu suicídio. Antigamente, quando os cemitérios ainda eram chamados “campos santos” e estavam submetidos ao controle das igrejas, os suicidas não poderiam ser enterrados neles. Penso que só isso ainda explica nossa visão do suicídio como um tema “proibidão”.

E para encerrar deixo um excerto de Sêneca, de uma época em que o pensamento cristão/católico ainda não era tão popular:

“Tal como uma fábula, assim é a vida; não interessa pelo que dura, mas por quão bem foi vivida. Não importa onde irás parar. Onde quiseres, pára; apenas lhe impõe um bom desfecho.”

[Extraído de “Aprendendo a Viver”, da L&PM Editora]

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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