Lendo os clássicos: Os sofrimentos do jovem Werther

Desde o início de 2010 estou em uma operação frenética de leitura dos clássicos. Aqueles livros que todo mundo fala que são imperdíveis, que caracterizam períodos literários, que deram a seus escritores fama eterna. Nesse processo li livros de estilos muito variados, de “O conde de Monte Cristo” a “Os Irmãos Karamázov”, passando por “Memórias póstumas de Brás Cubas” (que é uma leitura muito mais interessante depois de adulta), com uma longa parada em “Os miseráveis”… E muitos outros mais.

Uns foram leituras agradáveis, outros alucinantes, outros fizeram minha cabeça explodir (caso de “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamázov”), mas nenhum deles tinha deixado aquela sensação de “sério que isso é um clássico?”. Até concluir “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe.

Achei interessante o trecho em que ele compara o suicida a uma pessoa que decide retornar de uma viagem antes do final planejado, e que essa pessoa deseja retornar para perto do Pai, para sofrer junto dele, enfim… Talvez naquele momento isso fosse um pensamento novo para aquela juventude, que certamente tinha sido criada com a idéia cristã de que o suicídio os mandaria para viver eternamente ao lado do capiroto. Também entendo aqueles tópicos clássicos de aula de literatura, como a idealização da mulher, da vida campestre etc.

Não sei se ando muito insensível, mas o problema do Werther, para mim, era “falta de laço”. Não só para mim, mas também, pelo que se depreende da leitura das cartas, para o seu amigo (destinatário das cartas) e para sua mãe, que o estimulam a ter um emprego, ou ao menos uma vida ativa. Ele até, em algum momento da história, consegue um emprego, mas acaba pedindo demissão por motivos fúteis. E “mente vazia, oficina do diabo”…

Tudo bem que, como o romance é escrito na maior parte em primeira pessoa (através das cartas que ele manda para o amigo), não sabemos exatamente qual é o problema dele, mas o que ele sente que é o problema. Algumas coisas que o afligiram, como as distinções sociais, aparentemente não tiveram impacto no seu processo de decisão quanto a cometer suicídio. Aparentemente, para mim, ele decidiu abandonar a vida apenas porque não poderia ficar com Lotte.

Comenta-se que após a publicação desse livro vários suicídios aconteceram na Europa, supostamente por influência dos “sofrimentos” do Werther. Sério que em algum momento as pessoas acharam romântico ele de joelhos aos pés da mulher, chorando e beijando a mão dela?  Sério que pessoas acharam bonita a idéia de que “ah, se eu não posso ficar com ela, vou me matar”? Sério, humanidade? Custa-me acreditar…

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