Da enganação de “A menina que não sabia ler”

Após terminar a leitura do excelente “Angústia”, do mestre Graciliano Ramos, pensei que me faria bem ler alguma coisa bobinha para descontrair. Assim, fui inocentemente até meu setor de livros não-lidos (que cada dia aumenta mais, devido ao meu descontrole agora que moro em uma cidade onde há uma Livraria Cultura à minha disposição) e escolhi uma coisa que me pareceu fofinha e simpática: “A menina que não sabia ler”, de John Harding. Huge mistake.

A primeira parte do livro realmente é agradável e despretensiosa. Mas a segunda, depois da chegada das governantas… Tenso demais! E como o livro é narrado pela protagonista, só vemos as coisas com os olhos dela, então chega um ponto em que não sabemos mais o que é verdade, deduzimos coisas que ela não enxerga, uma loucura. E o fato de ela não saber ler se resolve nas primeiras páginas, é uma bobagem.

O livro foi tão bizarramente surpreendente que, assim que terminei de ler, revirei a blogosfera atrás de impressões sobre a história, e também para ver se mais gente havia se sentido tão enganada quanto eu pela capa singela. Foi então que descobri que o título original é simplesmente “Florence and Giles”, e que a capa original é bem mais macabra. E que o título da versão brasileira foi escolhido para pegar uma carona no best seller “A menina que roubava livros”. E sim, muitos leitores foram enganados por isso. Muito espertinhos os editores, né?

Enfim, continuo precisando de uma leitura tranquila. Espero que na próxima eu consiga.

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Uma resposta para Da enganação de “A menina que não sabia ler”

  1. É reconfortante saber que eu não fui a única a ser enganada por esta obra – se é que podemos chamar assim. Interessante é que um amigo me advertiu sobre o livro dias depois que comprei, mas enfim… Venho tendo dificuldade em encontrar histórias interessantes. O último pelo qual me aventurei foi “Depois da escuridão”, do Sidney Sheldon, mas ele não fez meu tipo. Agora leio uma biografia.

    Continuemos nossa busca. Até mais ler!

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