Da vida e da suposta necessidade de estar sempre feliz

Entre várias inutilidades que amigos compartilham no Facebook, às vezes aparece alguma coisa que acaba me tocando de alguma maneira. Ontem alguém postou algo sobre o Keanu Reeves, que supostamente levaria uma vida simples, sem ostentações e sem badalações, tendo passado por várias coisas difíceis ao longo da vida. Ao ser questionado sobre o apelido de “sad Keanu”, ele supostamente teria dito que “Vocês precisam ser felizes para viver, eu não.”.

Não sei se isso realmente aconteceu, mas não importa. Interessa o conceito da necessidade extrema que as pessoas têm de ser felizes, ou de se sentirem felizes ou, o que é pior, de aparentarem estar felizes. Uma felicidade eufórica, de quem está o tempo inteiro se divertindo e encontrando prazer em tudo. E que a vida não terá o menor sentido se não for vivida assim.

A vida, no meu atual entendimento, é a base de tudo o que fazemos e do que existe para nós, não um elemento a mais. Não entendo muito quando as pessoas agradecem a Deus pelas próprias vidas. Ora, se elas não estivessem vivas, não teriam problemas, dores, alegrias, nada. Podem agradecer pela sua saúde, dinheiro, pelas vidas de amigos, amores e familiares, mas pela própria vida? Não entendo.

Na sua vida, você vai encontrando pessoas boas e ruins, tendo experiências e delas vai extraindo ensinamentos, e tendo momentos bons e ruins. Os momentos bons podem estar ligados a êxitos profissionais, encontros familiares e com amigos, envolvimentos românticos, progressos financeiros, prazeres sensoriais (boa comida, champagne, sexo…). Todas essas coisas podem fazer alguém se sentir feliz. Essa felicidade, no meu entendimento, não nasce do nada, está relacionada a essas coisas que vão acontecendo ao longo do caminho.

Muito mais importante do que isso é o contentamento. É buscar coisas que dêem a sensação de satisfação, que é um sentimento calmo, tranqüilo, que permite que você ande pela vida centrado e, principalmente, sem carências e agitações de qualquer ordem. Para quem é contente, dinheiro não é um problema. Ele pode não o ter em excesso, mas é suficiente para suas necessidades. Para quem é contente, status não é um problema, porque ele está satisfeito com quem é, e não precisa aparentar mais do que isso para se afirmar junto ao grupo com quem convive.

Enfim, para mim o importante é estar contente. E isso, assim como a tão falada felicidade, se busca. Mas com resultados muito mais duradouros e compensadores.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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