Da matança das crianças defeituosas

Hoje alguém mencionou uma suposta polêmica quanto ao “descarte” de bebês nascidos com defeitos em tribos indígenas. Para aquela cultura, certamente isso não é nada de mais. Para nossos padrões, é.

Mas devemos aplicar nossos princípios a sociedades com bases tão diferentes? Diversos povos não têm a mesma cultura de valorização da vida que nós temos. Para eles, uma criança com deficiência será um peso e terá uma vida ruim. Então só porque a criança nasce no Brasil ela tem que ter sua vida defendida? Que vida ela terá na sua aldeia sendo um pária? Ou ela viverá em instituições de caridade ou do Estado, sem nenhuma perspectiva de felicidade? E tudo isso para simplesmente estar vivo? Será a vida tão importante? Para várias culturas, não.

Se decidimos conservar uma sociedade “nativa”, deve ser uma opção “completa”. Não podemos aceitar a alimentação, por exemplo, e vetar o vestuário. Senão estaremos aplicando nossos próprios valores, nossos filtros, a uma cultura que, em tese, gostaríamos de preservar, e a estaremos punindo duas vezes: ao matar suas tradições e ao não permitir sua integração completa à cultura dominante.

 

Em tempo: não sou favorável a preservar artificialmente cultura nenhuma, em especial quando há outros interesses envolvidos.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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