Do mocinho – parte 2

Assistindo novamente “Maria Mercedes” (não adianta, eu não resisto!), lembrei de um assunto inacabado por aqui: o segundo tipo de mocinho mais comum, o completo bundamole.

Como coloquei aqui, os mocinhos podem ser herois perfeitos ou bundamoles. Relaciono isso com os papeis familiares mais relevantes associados às mulheres: filhas e mães. O nosso lado “filha” nos faz valorizar os homens protetores, aqueles que nos defenderiam de qualquer perigo. Já o nosso lado “mãe” só nos ferra.

Maria do Bairro tentando tirar o Luís Fernando do vício da bebida e do jogo.  Maria Mercedes tentando fazer o Jorge Luís virar homem, ter atitude e ser independente. Paulina Martins tentando fazer Carlos Daniel Bracho virar um empresário minimamente eficiente, tomando conta dos filhos, da avó e da irmã dele… Todas viam seus homens como meninos que precisavam de orientação e apoio, não como homens com os quais elas pudessem contar.

Pelo contrário: todos os citados as abandonaram ao menor sinal de dificuldade, e caíram em todas as pilhas erradas colocadas pelos vilões ao longo da trajetória. A Maria do Bairro, coitada, foi a que mais sofreu. Só acusações de traição foram duas, uma com “o meu irmão Vladimir” (adoro o tom que o dublador do Colunga usa nessa frase, sempre) e a outra com um guri que, depois, o mocinho saberia que era seu próprio filho.

Mas os diversos vacilos não são suficientes para que as heroínas abandonem seus homens-filhos. Sempre ocorre o perdão, após muitas lágrimas. E quantas de nós não temos amigas com dedo podre para escolher namorados? Que começam um relacionamento na expectativa de que vão mudar seus parceiros para melhor? Que perdoam sucessivos erros, sempre na esperança de que eles não irão acontecer novamente?

Não sei quanto a vocês, mas eu já caí nessa. Felizmente saí a tempo, porque o final, ao contrário das novelas, não costuma ser feliz.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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