Da redução da importância da religião na sociedade

Houve um tempo em que fui uma pessoa muito religiosa. Deixei de fazer muitas coisas que a maioria dos meus amigos não-religiosos fazia, mas, de uma maneira geral, não era sofrido. Tinha certa segurança no caminho que estava percorrendo, sabia claramente o que era certo e o que era errado – dentro dos princípios religiosos que professava, evidentemente.

Estava lendo em um artigo na belíssima Revista de História da Biblioteca Nacional, no “Dossiê Jesuítas”, que em 1564 todos os decretos do Concílio de Trento foram declarados leis no reino de Portugal. A sociedade, mesmo sem o querer, era obrigada a seguir os princípios ditados pela Igreja. E durante muitos séculos o Estado e a Igreja andaram juntos, ou bem próximos. Claro que muita coisa ruim aconteceu por isso, mas é inegável que a religião teve um papel importante como “freio social”, incutindo o medo de uma punição eterna para crimes e pecados.

Hoje, o que temos? Cada vez menos pessoas crêem em Deus e religiões, e o Estado também tem se mostrado incapaz de aplicar suas leis com eficiência, o que provoca uma sensação geral de impunidade. Nada há que limite os maus instintos; não existe punição, nem nesse plano nem em um próximo (já que ele não existe).

Tiramos a religião das escolas e da sociedade, e o que foi colocado no lugar? O conhecimento da História, que deveria mostrar os erros cometidos pelas sociedades e suas conseqüências, costuma ser uma piada nas escolas, com professores esquerdistas recalcados cuja única preocupação é doutrinar ideologicamente seus alunos. As aulas de Filosofia conseguem ser ainda mais ridículas, com professores normalmente idosos sem capacidade de atingir seus alunos ou então hippies fora da realidade. Enfim, nada foi acrescentado à sociedade que imponha limites aos seus cidadãos.

E onde vamos parar? Só Deus sabe…

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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