Do rito religioso como um tratamento de sintomas

Novamente, a religião volta a fazer parte da minha vida de uma maneira meio torta, e tenho que decidir como lidar com uma pessoa muito especial, mas que é religiosa (ainda não sei até que ponto, mas enfim).

Antes que me apedrejem por ser contraditória: sim, eu já escrevi que penso que a religião é importante socialmente. E continuo achando isso. Mas penso que para pessoas esclarecidas, pensantes e que vivem com os olhos abertos, é muito difícil ser religioso.

Antes de mais nada, entendo que temos que separar o “rito” religioso, de Deus e da “regência espiritual” do Universo.

A pessoa que se alimenta do rito religioso seria, para mim, equivalente ao doente que só usa antitérmicos e analgésicos. Ele está tratando os sintomas, não as causas de sua doença. Ele se sente confortado participando de uma cerimônia em que todos seguem regras iguais, repetem mantras, liderados por uma figura de autoridade (que inclusive se veste de maneira pouco convencional) e em que há uma mensagem de amor e justiça. É um analgésico. Ele não busca entender o que provocou a dor e tratá-la na origem.

E isso é muito diferente de acreditar em Deus. No Ser que criou todas as coisas, que mantém o Universo em ordem e que tem as vidas de todas as coisas vivas em suas mãos. Deus criou o mundo inteiro. Não é possível que ele, por capricho, resolva mandar para o inferno mais da metade da população do mundo só porque ela não teve a chance de receber a pregação cristã, por exemplo. Quem nos garante que os cristãos, muçulmanos ou judeus estão corretos? E os budistas? E os incas? Povos civilizados que não crêem como nós. Como afirmar que estão errados?

E como superar as contradições dentro das próprias religiões? Como lidar com o fato de que alguém decide que uma coisa dentro da Bíblia “vale” e outra não? Por isso entendo que não se consegue ser religioso com os olhos abertos.

Agora, se a pessoa é feliz com os olhos fechados, beleza. Apenas não tente fechar os meus.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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