De Manuela, a “Noiva de Garibaldi” – parte 1

As histórias dos “amores imortais” sempre me interessaram, e influenciaram muito minha persona bizarra. O primeiro que me marcou foi a história de Margarida e Daniel, em “As Pupilas do Senhor Reitor”, o livro que acho que só eu amo. Daniel fez Guida sofrer horrores, chegando até a ter um rolinho com a irmã dela, que por sua vez era noiva do irmão dele, o Pedro (uma de minhas primeiras crushes literárias). Um tanto de coisa acontece na história até que Daniel se dá conta de que ama Margarida, que “acabou o sonho doido que andei sonhando” (vulgo a vida que ele levou entre o momento em que ele foi separado dela quando criança e aquele momento) e eles vivem felizes para sempre. Amei.

Mas os amores imortais reais não costumam ter finais legais. O de Adèle Hugo sempre me emociona, mas outra mulher sofreu quase tanto quanto ela: Manuela Ferreira, a “noiva de Garibaldi”. Tive meu primeiro contato com essa história quando li “A casa das sete mulheres”, da escritora Letícia Wierzchowski, e amei. Quando assisti a série homônima amei mais ainda, porque o Garibaldi ali tinha a imagem de Tiago Lacerda, o melhor intérprete de italianos do mundo. Mas quando li as “Memórias de Garibaldi”, escritas por Alexandre Dumas, senti mais ainda o sofrimento de Manuela. Vejam trechinhos de “Memórias de Garibaldi”:

“… Manoela era a soberana absoluta de minh’alma e, embora não nutrisse a esperança de um dia possuí-la – pois que estava prometida a um filho de Bento Gonçalves –,  eu não podia impedir-me de amá-la.”

“As mulheres do Rio Grande são geralmente lindíssimas e, num sentido galante, os nossos homens fizeram-se os seus vassalos, ainda que nenhum deles, posso afirmar, rendesse à sua musa um culto tão divinizante quanto o meu por Manoela.”

Sim, eu entendo Manuela. Garibaldi é, para mim, um dos maiores homens que já pisaram esse planeta, sendo menor apenas que Victor Hugo. Um homem com um ideal nobre: “a causa dos povos”. Que atravessou o mundo lutando por coisas bacanas. Entendo Manuela. Depois de amar e de se saber amada por um homem de tal nível, é impossível se conformar com menos. A solidão e a lembrança são melhores companhias.

Anúncios

Sobre ociolivre

A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
Esse post foi publicado em Alma gêma, Literatura, Televisão e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s