Do “Alfaiate Voador”

Felicíssima porque o trimestre do mestrado encerrou na semana do feriadão, resolvi aproveitar a liberdade para colocar as leituras em dia… Eis que quando lia a edição desse mês da querida “Revista de História da Biblioteca Nacional”, fui atropelada pela história de Franz Reichelt, o “Alfaiate Voador”. Ali, em poucas palavras, contava-se a história do alfaiate austríaco que resolveu testar uma roupa que serviria como pára-quedas, e o tal teste foi feito na Torre Eiffel. O Alfaiate se atirou da Torre e, evidentemente, morreu. E o pior: isso foi filmado, e o vídeo está no Youtube. Quem quiser, pode assistir aqui:

Bizarro. Trágico. Triste. Aterrador. Mas o que levou esse homem a isso?

Pesquisando sobre o assunto, li que ele ficou obcecado com os feitos de outros caras que haviam voado de pára-quedas e planadores, e que ficava fazendo roupas e as testando em bonecos, que jogava do seu apartamento, que ficava no 5º andar de um prédio. Até que um dia ele pensou que o problema não eram os modelos, mas sim o fato de estar lançando os bonecos de uma altura muito baixa, e resolveu lançá-los da Torre Eiffel… Mas no dia, por algum motivo resolveu, em vez de lançar um boneco com a roupa, usá-la ele mesmo. E deu no que deu.

Me interessa muitíssimo entender o que aconteceu naquele exato momento em que ele resolveu mudar os planos. O que passou na sua cabeça? Alguém sugeriu isso? A visão do público o fez se sentir encorajado, pensar que, se tivesse êxito, seria uma consagração, e seu nome entraria na História? Sua esposa e seu filho estavam lá? Se sim, o que sentiu essa esposa vendo o marido vestir aquele traje bizarro? Será que ela tentou impedi-lo? Será que ela foi impedida de tentar impedi-lo? E o que ela pensou ao ver o marido despencando lá de cima? Será que ela fechou os olhos? Dizem que ele já chegou ao solo morto, mas quem saberá?

O melhor artigo em português sobre o assunto li aqui:

 http://lounge.obviousmag.org/proparoxitonas/2013/01/franz-o-alfaiate-voador.html

Enfim, mais um personagem histórico que merecia um livro…

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Sobre ociolivre

A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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