Da Imperatriz D. Leopoldina

Como já escrevi em diferentes oportunidades, personagens trágicos me atraem demais. Adèle Hugo e Manoela (a “noiva de Garibaldi”) fascinam-me com seus amores infelizes, mas outra mulher as supera em termos de sofrimento: a Imperatriz D. Leopoldina, esposa de D. Pedro I (um dia ainda criarei coragem para escrever sobre ele).

A cada livro que leio sobre eles, mais cresce minha admiração por D. Leopoldina. Era uma grande conhecedora de mineralogia, botânica e assuntos relacionados a então chamada “História Natural”. Tinha grande discernimento e coragem, sendo uma das principais responsáveis pela independência do Brasil, junto com José Bonifácio, estimulando D. Pedro a tomar a decisão de separar o Brasil de Portugal. Mãe dedicada aos filhos e profundamente fiel ao marido, aguentou estoicamente as constantes humilhações a que D. Pedro a submeteu após o início do romance com a Marquesa de Santos.

Era extremamente caridosa, ajudando muito os pobres do Rio de Janeiro, sendo a sua agonia acompanhada pelo povo com intenso sofrimento, extravasado durante seus funerais. Depois de sua morte, que o povo atribuiu aos maus-tratos de D. Pedro (incitado pela Marquesa de Santos), a popularidade do Imperador caiu vertiginosamente e nunca foi recuperada.

Dizem que amava muito o marido e por isso aguentou tudo o que passou… Penso que o amor, mais do que ao marido, era ao dever, como boa Habsburgo. Li no “D. Pedro II”, de José Murilo de Carvalho, uma frase que a representa muito, retirada de uma de suas cartas:

“Procuro a minha felicidade no cumprimento exato do dever e estudando muito.”

E outra, que li no “D. Pedro – O Rei-Imperador”, de Javier Moro:

“Sim, tenho coragem, porque seria inútil ter medo.”

Enfim, não entendo porque Leopoldina ocupa um papel tão pequeno na História ensinada nas escolas… É um personagem histórico encantador, que já me levou às lágrimas (literalmente) diversas vezes, e que merece ser estudada e conhecida por todos os apaixonados pela História do Brasil.

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A prática do ócio livre era o ideal de vários filósofos antigos. Onde nossas reflexões nos levarão?
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